sábado, 12 de março de 2011

Artigo: A Lição de alteridade dos Mineiros no Chile


A Lição de alteridade dos Mineiros no Chile
                O mundo celebra a libertação dos mineiros no Chile e as gerações futuras têm muito que se orgulhar, pois a coragem e a determinação demonstradas sob as ruínas da mina de San José marcaram a história da humanidade para sempre.
                Cercados pelo deserto e pelas rochas, os mineiros, sobreviveram e suportaram situações tristes e aterradoras. Diante do sofrimento a própria existência dos seres humanos aponta os limites do que é pensável e inevitável. Nossos dilemas éticos, nossas noções de autonomia e identidade, variando em suas especificações de subjetividade, contrariam os julgamentos em conflito, nesse sentindo a condição humana obriga cada um de nós a sobreviver por si mesmo.
                Porém, somos convidados a considerar nossas origens sociais e coletivas sob a luz da experiência relacional, que se caracteriza pelo desafio da convivialidade, ou seja, no aprender a viver junto e no modo de se viver com os outros sem perder a liberdade.
                O que está em jogo neste artigo, mesmo que de forma ampla, é a idéia de liberdade em si mesma: a liberdade tal como um princípio da alteridade “a alteridade é a qualidade de valorização do outro, unida à capacidade de constatar as diferenças, para compreender a relação com os outros e conviver com o diferente, a partir de um olhar interior, amenizando as incompatibilidades que são próprias do nível evolutivo de cada um” 
                Os mineiros no Chile demonstraram, mesmo que de forma inconsciente, a prática da alteridade, pois diante do sofrimento passaram a entender a si mesmos e a se relacionar consigo mesmos como seres “psicológicos” – reinscreveram sua história e vibraram suas vitórias. Na verdade, tornaram-se exemplo para o mundo, pois constituíram uma nova cultura democrática imbuída pelo espírito da confiança e pela vontade de viver.
                Em nome da sobrevivência o companheirismo se intensificou como uma prioridade para os mineiros, que não se abateram com tamanha tragédia. Articulados, esses heróis elegeram suas regras e reconstruíram sua existência, a partir da responsabilidade e do respeito.
                Ainda em tempo, percebemos que as práticas de salvamento e libertação dos mineiros revelaram uma enorme capacidade de mobilização, não apenas política, mas, principalmente, humanitária. Portanto, não houve apenas o resgate dos mineiros, na verdade ocorreu o inicio da reconstrução do tecido coletivo humanitário que se encontrava esfacelado pelo fenômeno do individualismo tão presente em nosso cotidiano.
                Finalizando, acreditamos que a vida ganhou outro sentido para os mineiros e seus familiares. Não há mais pena, nem mesmo medo, pois da “Fênix” renasceram as esperanças. Contudo, abdica-se dos interesses alheios à felicidade porque, honestamente, não há condição para a alegria sem o testemunho da alteridade. Entretanto, o maior e mais incrível feito dos mineiros foi a lição deixada ao mundo, demonstrando que não há sentido na vitória se ela não é coletiva
Fonte: http://www.protexto.com.br/texto.php?cod_texto=1242